
Quando criança queria que ele tivesse me convidado para ver o jogo na tv com ele, talves no estádio. Provavelmente com ele por perto seria são paulino como ouvi dizer que ele era, e não corinthiano como sou hoje. Poderia ter aprendido a jogar futebol, já que ninguém nunca quis jogar comigo, e hoje sou apenas um telespectador.
No dia dos pais queria poder ter dado todas as lembrancinhas que faziamos na escola, a grande maioria das crianças empolgadas, e eu fazia apenas por obrigação.
Poderia gostar hoje de filmes de ação com Van Damme ou Chuck Norris, mas não gosto. Meu gênero preferido é drama.
Ele teria logo me incentivado a dirigir, tenho quase 30 anos e não sei dar partida num carro. Ou uma moto, sou atraído pela adrenalina que ela proporciona, mas por recriminação de alguns dizendo “perigoso”, nunca me arriquei.
Talves gastasse mais tempo na cozinha fazendo doces e bolos, já que está no meu sangue, ele era confeiteiro. Mas acabei me interessando por massas e outros pratos salgados e cozinho bem.
Na verdade, a ilusão da possibilidade de um pai presente leva a fantasia de poder ter tido uma vida mais completa, mas é só fantasia. Certamente, pouco seria diferente. Pouco seria mais difícil e problemático como foi. Mas eu queria ter vivido para saber como é.
O único presente que ganhei de pai até hoje, um boneco Lango-Lango, acho que foi o item mais importante da minha infância. Não pelo brinquedo em si, pois quando ganhei dele eu já tinha um, mas pelo que ele representava. Aquele boneco era o único elo que me ligava ao meu pai.
Mesmo ele estando vivo, e tendo uma vida lá onde quer que seja, estamos adaptados a distância. É seguro para nós estarmos longe um do outro. Não há espaço para vivermos como pai e filho, mas o que fica é uma saudade daquilo que não vivi. E essa nostalgia do que não vivi me faz querer aproveitar da companhia das pessoas que são importantes para mim, afim de que não correr o risco de sentir saudade de quem não convivi nunca mais.

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